Deficiência de vitaminas e minerais continua sendo um importante desafio para a saúde pública, diz estudo

O uso de suplementos nutricionais cresce de forma consistente no Brasil e no mundo, mas as deficiências de vitaminas e minerais continuam sendo um importante desafio para a saúde pública. Um estudo publicado em 2024 na revista científica Nutrients, com dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017–2018) e do Inquérito Nacional de Alimentação, revelou que cerca de 16% dos brasileiros utilizam suplementos vitamínicos e minerais, percentual que sobe para 27,9% entre os idosos.

O aumento do consumo acompanha uma realidade preocupante. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 2 bilhões de pessoas apresentam deficiência de pelo menos um micronutriente essencial, principalmente ferro, vitamina A, iodo e zinco, condições associadas ao maior risco de doenças, comprometimento do sistema imunológico e redução da qualidade de vida.

No Brasil, a deficiência de vitamina D também chama atenção. Estudos nacionais apontam que a insuficiência desse nutriente pode atingir entre 40% e 70% da população, dependendo da faixa etária e da região do país, índice que ultrapassa 80% entre os idosos, mesmo em um país com elevada incidência de luz solar.

Os números evidenciam um paradoxo: enquanto cresce o mercado de suplementos, milhões de pessoas ainda convivem com carências nutricionais que podem comprometer diferentes funções do organismo. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que suplementar sem orientação profissional pode trazer riscos e nem sempre é a solução para sintomas como fadiga, queda de cabelo ou baixa imunidade.

Embora uma alimentação equilibrada continue sendo o principal pilar da saúde, ela nem sempre é suficiente para atender às necessidades nutricionais de todas as pessoas. Em diferentes fases da vida, condições clínicas e até características genéticas podem aumentar a demanda por determinados nutrientes ou dificultar sua absorção. Nesses casos, a suplementação deixa de ser um modismo e passa a ser uma importante estratégia terapêutica.

Segundo a nutricionista Dra. Lucilene Saraiva, especialista em Nutrição de Precisão, esse cenário demonstra que os suplementos não devem ser vistos como substitutos da alimentação, mas como ferramentas capazes de corrigir deficiências, otimizar funções metabólicas e promover saúde quando utilizados de forma personalizada.

“A alimentação saudável continua sendo a base do tratamento nutricional. Entretanto, diversos fatores podem aumentar a necessidade de nutrientes ou reduzir sua absorção. Nesses casos, a suplementação pode fazer toda a diferença na prevenção e no tratamento de doenças,” destacou a nutricionista.