O presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), Bruno Leandro de Souza, voltou a demonstrar preocupação com o aumento dos episódios de violência contra médicos e outros profissionais da saúde e reforçou a importância do cumprimento da Resolução 2.444/25, do Conselho Federal de Medicina (CFM), que estabelece medidas obrigatórias de segurança para médicos em ambientes de trabalho.
Bruno Leandro explica que a normativa, em vigor desde março deste ano, determina ações como controle de acesso e videomonitoramento nas unidades de saúde, protocolos de resposta imediata em casos de violência, suporte psicológico e jurídico às vítimas, além da obrigatoriedade de notificação aos Conselhos de Medicina, autoridades policiais e Ministério Público. A resolução também fortalece a responsabilidade dos diretores técnicos na adoção de medidas de proteção às equipes médicas.
Segundo o presidente do CRM-PB, a violência contra profissionais da saúde tem se tornado uma preocupação crescente. “O CRM-PB vê com enorme preocupação os recentes episódios de violência registrados contra médicas e médicos nas unidades de saúde. Esse tipo de agressão atinge não apenas os médicos, mas todos os profissionais que atuam na linha de frente do atendimento à população”, afirmou.
Dados de pesquisa realizada pelo CRM-PB com 611 médicos paraibanos mostram que mais de 80% dos profissionais já sofreram violência verbal durante o exercício da profissão, enquanto 10% relataram agressões físicas. O levantamento aponta ainda que mais de 60% dos entrevistados sofreram violência moral e 5,2% relataram episódios de violência sexual.
Em todo o Brasil, mais de 4,5 mil boletins de ocorrência relacionados a ameaças, injúria, desacato e lesão corporal em unidades de saúde foram registrados nas delegacias de Polícia Civil dos estados e do Distrito Federal. O número representa uma média de 12 agressões por dia contra profissionais da saúde em seus ambientes de trabalho.
O tema voltou ao centro do debate após a agressão sofrida por duas médicas do Hospital Ortotrauma de Mangabeira (Trauminha), em João Pessoa, no último domingo (17). De acordo com Bruno Leandro, o CRM-PB entrou em contato com a direção técnica da unidade e com a Secretaria de Segurança Pública, que anunciou medidas como ampliação do monitoramento por câmeras, instalação de novos botões de pânico, presença de posto policial fixo 24 horas e reforço da segurança armada.
“O CRM-PB presta total apoio e solidariedade às médicas envolvidas. A violência contra qualquer profissional da saúde é inadmissível e não pode ser naturalizada”, destacou o presidente do Conselho.
Em fevereiro deste ano, o CRM-PB sediou o evento “Segurança no Exercício da Medicina”, promovido pelo CFM, reunindo autoridades e especialistas para discutir estratégias de proteção aos profissionais da saúde e enfrentamento à violência nas unidades de atendimento.

