Fabíola Rezende alerta para número de animais abandonados nas ruas; estimativa é de mais de 80 mil na Paraíba

A mais recente Pesquisa Cenário de Abandono de Animais revela que o Brasil tem 30 milhões de animais abandonados nas ruas. Na Paraíba, embora dados mais atualizados sobre o número total sejam difíceis de precisar, a estimativa é de 80,5 mil cães e gatos abandonados. “É um dado relevante, por isso a necessidade de intensificação das ações governamentais em andamento na Paraíba para esse controle, como o programa Paraíba Pet”, ressalta a protetora e ativista da causa animal Fabíola Rezende, gerente operacional das Políticas da Causa Animal da Secretaria de Estado da Saúde do governo paraibano.

Fabíola ainda destaca outro ponto da pesquisa realizada pelo quarto ano consecutivo pelo Cobasi Cuida, ongs de proteção animal e protetores independentes: “Os dados desse levantamento nacional, realizado no mês passado, apontam que o número de 30 milhões no país equivale a um em cada quatro animais em todo o mundo. Ou seja: 25% dos animais abandonados no planeta estão no Brasil e mais de 80% estão em centros urbanos”.

“Qualquer um que caminha pelas ruas de qualquer cidade vai avistar um cenário bastante triste e preocupante”, diz Fabíola, completando: “Os animais abandonados estão por toda parte. É uma realidade escancarada principalmente nos centros urbanos, onde cães e gatos estão permanentemente tentando sobreviver”. A pesquisa registra que as principais vítimas são os cães (54%) e os filhotes. “Temos que focar no controle populacional por meio de castrações e educação”, alerta a protetora. Os dados dos 80,5 mil animais abandonados na Paraíba são do Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV-PB), de 2023.

Segundo o levantamento da pesquisa nacional, quase 83% dos abandonos acontece em áreas urbanas. Além disso, a maioria dos casos ocorre em vias públicas, o que representa 76,6% das ocorrências. Por outro lado, 6,3% são nas proximidades de estabelecimentos comerciais. Acerca das áreas rurais, o número no Brasil é de 17,2%. O perfil dos animais que vivem nas ruas mostra a relação entre abandono e falta de controle reprodutivo.

De acordo com a pesquisa, 31% dos resgates são de filhotes. E o mais agravante: 10% dos registros envolvem animais com necessidades especiais ou idosos. “O abandono está diretamente ligado à falta de informação e de ações preventivas, como a castração. Quando esse cenário se concentra nos centros urbanos, ele pressiona ainda mais as ongs e protetores, que já operam no limite”, afirma Daniela Bochi, da Cobasi Cuida.

Para enfrentar o abandono e diminuir o número de casos, organizações e protetores adotam algumas medidas. A principal delas é a realização de entrevistas com os interessados em adotar os pets. Além disso, a castração e campanhas educativas são constantemente incentivadas. As organizações enfrentam alguns desafios, como a falta de espaço físico, a devolução de animais já adotados e a sobrecarga causada pelo acolhimento de animais que exigem cuidados prolongados

De forma estrutural, os profissionais e especialistas acreditam que políticas públicas mais rigorosas são fundamentais. O fortalecimento da fiscalização contra maus-tratos também entra na lista, juntamente com a ampliação das campanhas de castração promovidas pelos governos. Outros dados de outro levantamento – a Pesquisa Transparência dos Dados de Abrigo de Animais, da Medicina de Abrigos Brasil – indicam que no primeiro semestre de 2025 foram registradas 5.325 entradas de cães e gatos em abrigos e lares temporários no país.

Os abrigos privados detêm 84,7% das entradas e quase 90% das saídas dos pets, o que demonstra como esses locais são importantes para enfrentar esse cenário de abandono. Já os lares temporários, obtiveram 11,2% das entradas e 15,8% das saídas. Por último, os abrigos públicos têm participação inferior a 2% em ambos os casos.

Para Fabíola Rezende, além da castração em massa, as adoções são a principal forma de saída dos animais das ruas. O caminho é produzir, apoiar e dar visibilidade a dados consistentes; é fundamental para transformar a realidade do abandono animal. Somente com informação qualificada é possível fortalecer ações preventivas e ampliar a adoção responsável.

As adoções são a principal forma de saída (superior a 85%), tanto para cães quanto para gatos. A pesquisa nacional da Cobasi Cuida ainda revela que quase 5 milhões de animais estão em situação de vulnerabilidade, com aproximadamente 200 mil deles sendo cuidados por ongs e protetores. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a Lei 15.322/2026, que institui a campanha Julho Dourado, destinada à promoção da saúde dos animais domésticos e de rua e à prevenção de zoonoses.