O Presidente do CRM-PB cobrou a adoção e ampliação das medidas de segurança para médicos e paciente nas unidades de saúde. No último final de semana, mais uma caso de agressão foi registrado em João Pessoa e que tiveram como vítimas do Hospital Ortotrauma de Mangabeira (Trauminha), em João Pessoa.
“Assim que soubemos do caso de violência, que envolvia inclusive uma médica grávida, entrei em contato com a direção técnica do hospital e com a Secretaria de Segurança Pública, que anunciou medidas como ampliação do monitoramento por câmeras, instalação de novos botões de pânico, presença de posto policial fixo 24 horas e reforço da segurança armada”, afirmou Bruno Leandro. O Trauminha tinha apenas um botão de pânico e os gestores se comprometeram em aumentar para quatro.
O presidente do CRM-PB ressaltou ainda que “vê com enorme preocupação os recentes episódios de violência registrados contra médicas e médicos nas unidades de saúde”. De acordo com Bruno Leandro, “o CRM-PB presta total apoio e solidariedade às médicas envolvidas e reforça que esse tipo de violência atinge não apenas os médicos, mas todos os profissionais da saúde, que frequentemente enfrentam situações de agressão física, verbal, ameaças e intimidações no exercício da profissão”.
Pesquisa do CRM-PB: 80% médicos já sofreram violência verbal
Pesquisa realizada pelo CRM-PB revela que mais de 80% dos médicos disseram já ter sofrido violência verbal enquanto exerciam sua profissão e 10% já sofreram violência física. Mais de 60% dos profissionais ouvidos também informaram ter sofrido violência moral e 5,2% violência sexual. O levantamento ouviu 611 médicos em 2025.
Em todo o Brasil, mais de 4,5 mil boletins de ocorrências foram registrados nas delegacias de Polícia Civil dos estados brasileiros e do Distrito Federal por situações como ameaça, injúria, desacato e lesão corporal em unidades de saúde. São 12 agressões sofridas diariamente por profissionais de saúde em ambiente de trabalho.
O presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza, ressalta que os profissionais de saúde não devem ser responsabilizados pelas falhas do sistema de saúde. “Quando a violência chega ao médico, ela já atingiu outros trabalhadores da área, como maqueiros, recepcionistas, técnicos de enfermagem. A violência contra qualquer pessoa é inadmissível. A população precisa apoiar o seu médico, fazer dele um aliado e não o responsabilizar pelas falhas no atendimento”, afirmou.
Resolução do CFM: medidas para conter a violência
A Resolução 2.444/25, do Conselho Federal de Medicina (CFM) entrou em vigor no mês de março para garantir segurança aos profissionais diante do aumento de casos de violência em unidades de saúde.
Dentre as medidas que devem ser implementadas estão: a obrigatoriedade de controle de acesso e videomonitoramento nas unidades de saúde; protocolos de resposta imediata em casos de violência; suporte psicológico e jurídico aos profissionais vítimas de agressão; notificação obrigatória ao CRM, autoridades policiais e Ministério Público; fortalecimento da responsabilidade do diretor técnico quanto à segurança da equipe médica; articulação com órgãos de segurança pública em áreas de maior risco; garantia de condições adequadas para o exercício profissional com preservação da integridade física e mental dos médicos.
Em fevereiro deste ano, o CRM-PB sediou evento do CFM para debater a segurança dos médicos e o combate à violência no ambiente de trabalho. O evento “Segurança no Exercício da Medicina” reuniu diversas autoridades e discutiu estratégias para a proteção dos médicos e demais profissionais de saúde em seus ambientes de trabalho.

