O ano de 2026 começou com um cenário preocupante para milhões de brasileiros. Dados recentes mostram que 29% das famílias do país iniciaram o ano com pelo menos uma dívida em atraso, refletindo o impacto do endividamento no orçamento doméstico e a dificuldade crescente para quitar compromissos financeiros.
Entre as capitais brasileiras, Belo Horizonte (MG) lidera o ranking da inadimplência. Na capital mineira, seis em cada dez famílias enfrentam dificuldades para pagar contas atrasadas, índice que representa o dobro da média nacional.
Além disso, outras cidades também registraram altos percentuais de inadimplência. Manaus aparece com 49%, seguida por Fortaleza, com 48%. Goiânia e Distrito Federal empatam com 42% das famílias com contas vencidas.
Por outro lado, João Pessoa apresenta o menor índice de inadimplência do Brasil, com apenas 12% das famílias em situação de endividamento vencido. Curitiba ocupa a segunda posição, com 14%, seguida por Belém e Cuiabá, ambas com 16%. São Paulo registra 20%.
Cartão de crédito pesa no orçamento das famílias
O principal fator associado ao aumento das dívidas é o uso excessivo do cartão de crédito e do crédito rotativo. Segundo o assessor econômico da FecomércioSP, Fábio Pina, muitos brasileiros utilizam o parcelamento para cobrir despesas básicas, como compras em supermercados e farmácias.
De acordo com o especialista, a facilidade de acesso ao crédito pode criar uma falsa sensação de controle financeiro. Como consequência, as famílias acabam acumulando parcelas e juros elevados, comprometendo ainda mais a renda mensal.
O zelador Edson da Silva Santos relata que o cartão de crédito se tornou uma das maiores preocupações do orçamento familiar. Segundo ele, os juros e os gastos acumulados dificultam o controle das despesas do mês.
A percepção também é compartilhada pelo garçom Davi Kerve. Para ele, muitas pessoas enfrentam dificuldades até mesmo para pagar contas essenciais, o que contribui diretamente para o aumento da inadimplência.
Especialistas orientam planejamento financeiro
Diante do cenário, especialistas recomendam maior controle financeiro e cautela antes de realizar compras parceladas. Fábio Pina orienta que o consumidor avalie a real necessidade da compra e, sempre que possível, tente juntar o valor para pagar à vista.
Outra recomendação importante é a criação de uma reserva de emergência. Segundo especialistas, essa estratégia ajuda as famílias a enfrentarem situações inesperadas, como problemas de saúde ou perda de renda, sem recorrer a empréstimos ou crédito com juros altos.
Para quem já está endividado, a renegociação das dívidas é considerada essencial. A orientação é procurar bancos e instituições financeiras para buscar melhores condições de pagamento e taxas mais acessíveis.
Ainda conforme o especialista, negociar rapidamente pode ajudar o consumidor a reorganizar a vida financeira e evitar o agravamento das dívidas.

