Defesa de Hytalo Santos pede anulação de condenação com base no “ECA Digital”

A defesa do influenciador Hytalo Santos solicitou à Justiça a anulação da condenação dele e do marido, Israel Vicente, por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes na internet. O pedido foi protocolado na Vara da Infância e Registro Público da Comarca Integrada de Bayeux e Santa Rita, na Grande João Pessoa, após a entrada em vigor do chamado “ECA Digital”, em 17 de março.

Segundo a defesa, a nova legislação — conhecida como “Lei Felca” — teria redefinido os critérios para caracterização de conteúdo pornográfico, o que poderia impactar diretamente a condenação. Os advogados também questionam a sentença do juiz Antonio Rudimacy, alegando que houve uma interpretação ampla do crime.

A decisão judicial considerou que conteúdos sensuais e eróticos poderiam ser classificados como pornográficos, mesmo sem sexo explícito, com base em entendimento do Superior Tribunal de Justiça.

Por outro lado, a defesa sustenta que o novo regramento estabelece critérios mais objetivos. De acordo com o decreto regulamentador, deve-se considerar a finalidade, funcionalidade ou modelo de negócio que envolva conteúdo sexualmente explícito ou nudez com conotação sexual.

Além disso, os advogados argumentam que o material produzido pelos investigados seria uma manifestação cultural marginal, ligada a movimentos periféricos como o Brega Funk, o que estaria protegido pela liberdade de expressão. A petição também cita trechos que excluem da classificação pornográfica conteúdos inseridos em contextos musicais ou audiovisuais.

Outro ponto levantado é o princípio jurídico da “abolitio criminis”, que permite a aplicação retroativa de uma lei mais benéfica ao réu. Nesse sentido, a defesa afirma que, se a nova legislação deixou de considerar determinadas condutas como crime, a mudança deve beneficiar inclusive condenações anteriores.

Até o momento, não há prazo definido para que a Justiça analise o pedido.

ECA Digital e origem da “Lei Felca”

O chamado Estatuto Digital da Criança e do Adolescente foi sancionado em setembro de 2025 e entrou em vigor em 17 de março deste ano. A norma ganhou o apelido de “Lei Felca” após denúncias feitas pelo influenciador Felca sobre casos de adultização e exploração de menores nas redes sociais.

Em agosto de 2025, Felca publicou um vídeo denunciando Hytalo Santos, que ultrapassou 52 milhões de visualizações. Após a repercussão, Hytalo e Israel Vicente foram condenados.

Prisão e outros processos

Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos em São Paulo, em 15 de agosto de 2025, e posteriormente transferidos para o Presídio do Róger. Desde 28 de agosto, ambos permanecem em prisão preventiva.

Além da condenação na Justiça comum, os dois também respondem a um processo na Justiça do Trabalho por tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão.

Por Estado PB | Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal