Quando o coadjuvante vira protagonista: Jhony Bezerra e o novo Avante

A política é dinâmica, imprevisível e, muitas vezes, ingrata com quem não entende o tempo certo das jogadas. Jhony Bezerra soube ler o tabuleiro. Em questão de dias, deixou o ostracismo partidário no PSB — onde atuava mais como liderado do que como voz ativa — para assumir o papel de protagonista ao tomar as rédeas do Avante na Paraíba.

A mudança não foi obra do acaso. Houve articulação pesada, aval explícito e, sobretudo, cálculo político. Com o respaldo de dois dos principais articuladores da política paraibana, Aguinaldo Ribeiro e Hugo Motta, Jhony emerge fortalecido, ocupando um novo espaço estratégico. A queda de Victor Hugo da presidência da legenda simboliza exatamente isso: a troca da inércia por movimento.

Ao assumir o Avante, Jhony não apenas ganhou um partido, ganhou discurso, palanque e autonomia. Mais do que isso, passou a falar como dirigente, e não mais como coadjuvante. O alinhamento imediato com o projeto liderado pelo governador João Azevêdo e pelo vice-governador Lucas Ribeiro mostra maturidade política e clareza de rumo. Jhony sabe que, na política, quem fica em cima do muro acaba invisível.

O evento em Cabedelo, que marcou sua posse e a reorganização da legenda no município, foi também um recado claro aos bastidores: Jhony Bezerra deixou de ser promessa ou nome técnico para se tornar ator político de peso. Saiu da sombra, assumiu o centro do palco e, agora, joga o jogo grande.

Se conseguirá transformar protagonismo partidário em capital eleitoral, o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: Jhony Bezerra já não é mais figurante no enredo da política paraibana. Agora, escreve seus próprios capítulos.

Por Felipe França